quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O segredo de Emma Corrigan - Resenha

Que leitura! Que história! Que autora!
As obras de Sophie Kinsella me conquistam pela capa e pelos títulos curiosos. Eu jurava que a capa desse livro tinha a ver com adivinhações e ciganas. Enfim, nada a ver. Sim, eu sempre viajo tentando deduzir o significado da capa de um livro e, sim, nunca acerto.
Eu descobri esse livro pesquisando pelas obras da autora no Skoob e fui vendo quais eu não havia lido ainda. Indiquei para minha cunhada, ela leu primeiro que eu e sim, ela é boa em não contar spoiler. Quando terminei, fui correndo falar com ela, porque eu simplesmente ADORO comentar com alguém sobre a história. 
O livro é leve, curtinho e a leitura flui naturalmente. Parece um daqueles bons filmes para unir uma galera e rir e ficar com gostinho de quero mais. Uma última consideração sobre a autora, além de precisar repetir que ela é ótima, é o fato de suas principais personagens serem sempre muito parecidas. Não estou exagerando. Ela divide muito bem a personalidade dos outros em cada história. Mas não entendo como ela consegue me fazer ter a sensação de que a personagem principal é quase igual a todas as outras que ela já escreveu. Muito engraçadas, claro, mas também um pouco estrambelhadas e que tudo dá errado mas com o tempo tudo se resolve e elas ficam de bem com a vida devido à alguma situação que ocorre na trama. É viciante, não dá pra simplesmente deixar de gostar das obras dela, porém é algo que percebe-se logo que você conhece a personagem.

Emma Corrigan é uma mulher em busca de sucesso em sua carreira profissional. Tem um relacionamento aparentemente perfeito com Connor, mas ela passa a questionar sua união com ele após uma proposta que ela recebe do mesmo. Ainda sobre sua vida profissional, Emma está voltando de uma viagem à trabalho (desejando que consiga uma promoção no cargo que ocupa) e no meio do caminho o avião sofre uma turbulência, que muda a vida da nossa personagem. Apavorada e certa de que todos vão morrer, num impulso e completamente sem controle, ela explana seus segredos mais íntimos para uma das pessoas que estão a bordo, sentada ao seu lado, que ela nem imagina que encontrará de novo. O cotidiano de Emma no escritório é bastante familiar; intrigas pequenas, apelido aos colegas, a forma como uma fofoca é passada de um setor para o outro, bem, a gente se identifica e às vezes a ficção parece uma história bastante real. A amizade, cumplicidade e o carinho entre ela e Lissy, uma das meninas com quem ela divide o apartamento, também é trivial, fazendo-nos lembrar das nossas próprias amizades.
Quanto aos segredos de Emma, um a um vai sendo revelado de uma forma que colabora para ela resolver alguns dos seus problemas, principalmente os familiares. Outros, são revelados de modo que chegamos a ficar envergonhados por ela. Porém, toda situação constrangedora num livro serve para nos levar a reflexão, certo? Pelo menos é o que acredito e percebo a cada novo livro que leio, independente do autor. Nossa querida e cativante Emma, aprende a lidar com os segredos que foram revelados e até passa a se sentir mais leve. Também adota teorias de que é importante saber compartilhar nossos sentimentos e sermos honestos com as pessoas que se importam conosco. Ah, e quanto à isso, Jemima, outra de sua colega com quem divide o apartamento, é contra este raciocínio e acredita que os homens nunca devem saber muito sobre nós, que quanto mais eles sabem, mais o relacionamento se torna um desastre, um caos. Mas Emma é firme em sua teoria:

Homens e mulheres não são inimigos. Homens e mulheres são almas gêmeas. E se forem simplesmente honestos, desde o pontapé inicial, todos vão perceber isso. Todo esse negócio de ser misterioso e distante é uma besteira completa.

Estou tão inspirada que acho que vou escrever um livro sobre relacionamentos. Vai se chamar “Não tenha medo de compartilhar”, e vai mostrar que homens e mulheres devem ser honestos uns com os outros, e assim vão se comunicar melhor, entender um ao outro e nunca ter de fingir sobre nada, nunca mais. E isso também poderia se aplicar às famílias.

“(...) Porque o que aprendi de verdade é: se você não pode ser honesta com seus amigos, colegas e entes queridos, de que serve a vida?

E se Emma descobriu algo sobre ser sincera, imagine eu. Mas a verdade é que aprendi que nem todo mundo aguenta a sinceridade. Nem todos tem a capacidade de lidar com a verdade. E isso, bem eu não descobri lendo Sophie. Foi com a vida mesmo e as decepções com alguns que um dia eu pude chamar de amigos mas que graças a Deus eles não fazem mais parte da minha vida.


4 de 5 estrelas. (Ah, vai! O romance entre ela e o carinha é bastante fora do comum e achei um pouquinho rápido.)

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